Todo Governo Deveria Ter um Painel de Mercados de Previsão (E Demitir Metade dos Consultores de Políticas)
Enquanto políticos ficam se masturbando em comitês, mercados de previsão estão quietly resolvendo o problema de informação que está matando a democracia.
The t-shirt says it all — Photo by chris robert on Unsplash
O Problema da Punheta em Comitê
Aqui vai um jogo divertido: conte quantos "painéis de especialistas" e "comitês consultivos" seu governo convocou no ano passado. Agora conte quantos desses experts enfrentaram consequências reais quando suas previsões deram merda.
Zero? Parabéns, você descobriu a disfunção central da governança moderna.
Enquanto políticos passam meses em salas sem janela debatendo se o Projeto de Lei de Infraestrutura X vai criar empregos, mercados de previsão poderiam dar uma resposta ponderada por probabilidade em questão de horas. Mas ao invés disso, temos audiências teatrais onde senadores fazem show para as câmeras da C-SPAN e consultores faturam R$ 2.500/hora para regurgitar slides da McKinsey.
A dissonância cognitiva é impressionante. Confiamos em mercados para precificar tudo, de soja a ações da Tesla, mas quando se trata de prever se um pacote de gastos de R$ 10 trilhões vai impulsionar o PIB, recorremos aos mesmos oráculos de Brasília que perderam a crise de 2008, o impacto econômico da COVID, e praticamente toda tendência importante da última década.
Por Que Mercados de Previsão Destroem Teatro Político
Robin Hanson não estava fumando maconha de universitário de filosofia quando propôs a futarquia — a ideia de que governos deveriam usar mercados de previsão para guiar decisões políticas. O cara entendeu algo profundo: mercados agregam informação distribuída melhor do que qualquer comitê jamais conseguirá.
É por isso que mercados de previsão destroem a criação tradicional de políticas:
Skin in the game. Participantes do mercado apostam dinheiro real em resultados. Membros de comitês apostam suas reputações — e todos sabemos o quanto Brasília valoriza honestidade intelectual sobre avanço na carreira.
Velocidade. Mercados processam informação nova instantaneamente. Comitês do Congresso precisam de seis meses para agendar uma audiência sobre informação que já está obsoleta.
Precisão. Meta-estudos mostram que mercados de previsão consistentemente superam previsões de experts. O Iowa Electronic Markets acertou eleições presidenciais melhor que pesquisas. O Hollywood Stock Exchange previu vencedores do Oscar melhor que insiders da indústria.
A Revolução Silenciosa da DARPA (E Por Que Morreu)
A Defense Advanced Research Projects Agency tentou isso em 2003 com o Policy Analysis Market. O conceito era genial: criar mercados de previsão para eventos geopolíticos para ajudar planejadores do Pentágono a antecipar crises.
Aí veio o pânico moral.
O senador Byron Dorgan se escandalizou com "apostas no terrorismo" e o programa morreu mais rápido que uma startup de cripto em bear market. Jogada clássica de Washington — matar inovação porque faz estruturas de poder tradicionais parecerem obsoletas.
Mas olha o que a turma do escândalo perdeu: o mercado da DARPA teria sido muito mais preciso que a comunidade de inteligência que convenceu todo mundo que o Iraque tinha armas de destruição em massa.
Imagina se formuladores de política tivessem acesso a probabilidades baseadas em mercado sobre:
- Se sanções vão mudar comportamento de regimes
- Quais investimentos em infraestrutura vão impulsionar crescimento de longo prazo
- Como diferentes políticas educacionais afetam taxas de graduação
- O cronograma real para metas climáticas
Ao invés disso, temos opinões de pundits e papers de think tanks financiados por quem quer ouvir confirmação dos próprios preconceitos.
O Argumento Democrático para Governança de Mercado
"Mas mercados não são democráticos!" gritam as mesmas pessoas que acham que democracia significa deixar 594 congressistas fazerem apostas trilionárias com dinheiro dos outros.
Aqui vai a realidade: mercados de previsão são mais democráticos que nosso sistema atual. Qualquer um pode participar. A informação de todo mundo importa. O mercado não liga para seu diploma da USP, suas conexões de lobby, ou se você doou para os candidatos certos.
Compare isso com a criação tradicional de políticas, onde decisões fluem de:
- Consultores de porta giratória que pulam entre governo e indústria
- Experts acadêmicos cujas carreiras dependem de nunca desafiar o pensamento ortodoxo
- Grupos de interesse especial com os bolsos mais fundos
Um painel governamental de mercados de previsão democratizaria expertise. Empreendedores do interior, engenheiros aposentados, cientistas de dados imigrantes — qualquer um com insight genuíno poderia influenciar política botando dinheiro onde a boca está.
Implementação Sem Revolução
Isso não é sobre substituir democracia com algum delírio libertário. É sobre dar informação melhor para eleitores e formuladores de política.
Comece simples:
- Crie mercados de previsão para resultados importantes de políticas
- Publique os resultados junto com análise tradicional de experts
- Acompanhe precisão ao longo do tempo
- Gradualmente dê mais peso aos sinais do mercado conforme provem ser superiores
Governos locais poderiam liderar aqui. Câmaras municipais debatendo acordos de estádio ou políticas habitacionais poderiam rodar mercados de previsão paralelos. Deixar residentes apostarem se o novo centro de convenções vai realmente impulsionar receita do turismo.
Governos estaduais poderiam testar mercados em reformas educacionais, ROI de infraestrutura, ou programas de desenvolvimento econômico. Construir o histórico em escalas menores antes de escalar.
A Resistência Já Está Se Mobilizando
Claro, os ex